domingo, 3 de abril de 2011

INTRODUÇÃO A SOCIOLOGIA

FUNDECT – FUNDAÇÃO UNIVERSITÁRIA E DESENVOLVIMENTO CIENTÍFICO
INTA – INSTITUTO SUPERIOR DE TEOLOGIA APLICADA













INTRODUÇÃO A SOCIOLOGIA

Prof. FILADÉLFIA



M ª Josiane Lopes






SOBRAL-CE
2009

QUESTIONÁRIO

1.    O QUE FAZ COM QUE O CONHECIMENTO CIENTÍFICO SEJA DIFERENTE DE OUTRAS ESPÉCIES DE CONHECIMENTO?

Do mesmo modo que a forma, o objetivo, embora igualmente necessário a caracterização do conhecimento científico, não e exclusivamente desse tipo de conhecimento. Outras formas de conhecimento também objetivam explicar como e por que os fenômenos ocorrem. Nenhum conhecimento além da ciência, entretanto se baseia na observação sistemática dos fatos para explicar a realidade. Pode acontecer, como de fato, ocorre mesmo no domínio chamado mesmo de senso comum, que é a observação aleatória e casual, quando não tendenciosa, seja utilizada para demonstrar generalizações sobre a realidade. Só a ciência, porem, baseia as suas generalizações na observação sistemática, planejada e, quando possível em condições laboratoriais dos fatos. 
                                                                                                                                                                                                                                               
2.    EM QUE A SOCIOLOGIA DIFERE DA FILOSOFIA SOCIAL?

Ao contrario das explicações filosóficas das relações sociais, as explicações da sociologia não partem simplesmente da especulação de gabinete, baseada, quando muito, na observação casual de alguns fatos. A ética social, que e uma divisão da filosofia social, estabelece o que é bom e o que é mal para a sociedade e para o homem, enquanto a sociologia, por ser turno, não emite juízos de valor. Como ciência, a sociologia tem de obedecer aos mesmos princípios gerais validos para todos os ramos do conhecimento científico, apesar das peculiaridades dos fenômenos sociais quando comparados com os fenômenos da natureza e, consequentemente, da abordagem cientifica da sociedade. A sociologia se distingue das formas não científica de explicação da sociedade pelos os meios que são alcançadas as suas generalizações. Em outras palavras, a sociologia é como toda ciência predominantemente indutiva, isto é, parte da observação sistemática de casos particulares para daí chegar à formulação de generalizações sobre a vida social. Já a filosofia social é sobretudo dedutiva, ou seja, parte da formulação de generalizações que são aplicadas a grande variedade de casos particulares porventura observáveis na sociedade.

3.    QUAL O PAPEL DA DEDUÇÃO NA INVESTIGAÇÃO CIENTIFICA?

Embora a indução seja, de qualquer modo, o fundamento da metodologia da ciência, sem a dedução não é possível a critica do conhecimento estabelecido nem a formulação de novas idéias não estritamente derivadas da observação, necessárias ao progresso do conhecimento científico. A observação sistemática dos fatos é, mesmo assim, o crivo da teoria científica. É ela que, em ultima instancia, confirma ou nega a consciência cientifica de qualquer explicação da realidade. Não há, portanto, sociologia sem observação sistemática dos fatos da sociedade.

4.    POR QUE A CIÊNCIA NÃO PODE SER EXCLUSIVAMENTE INDUTIVA?

A indução, porém, é o método predominante, mas não exclusivo da sociologia, pois ciência nenhuma pode prescindir da dedução. Não somente a física, ciência que, apoiando – se largamente na matemática, usa com igual largueza de processos dedutivos de demonstração, mas também as ciências do comportamento lançam mão da dedução.

5.    POR QUE PODEMOS AFIRMAR QUE NÃO É POSSÍVEL A APREENSÃO IMEDIATA DOS FATOS OBSERVÁVEIS?

 Na realidade nada nos autoriza a crer na possibilidade de uma percepção imediata dos fenômenos a nossa volta, sem a interferência de noções previas.

6.    POR QUE SE ADMITE QUE OS SOCIÓLOGOS DEVEM PROCURAR TER CONSCIÊNCIA DOS SEUS VALORES?

Assim ocorre, consequentemente, com a sociologia. Mas o sentido moral da atividade cientifica esta com o seu compromisso com a verdade, ao menos com a nossa verdade que a nossa capacidade de observação e entendimento permite alcançar. A neutralidade moral da sociologia não implica, também, a idéia de que as pessoas que se dedicam a essa ciência tenham de ser na sua vida pessoal moralmente descomprometidas. O que, de resto, é impossível. Significa porem, que enquanto sociólogo e só enquanto tal, esse profissional, deve fazer todo esforço que lhe for possível para não permitir que seus valores morais interfiram preconceituosamente na sua percepção e interpretação da realidade pessoal. Outra implicação ética inevitável da ciência esta no fato de que, quaisquer que sejam as convicções morais do cientista, as conclusões da ciência têm conseqüências mora, na medida em que o conhecimento cientifico tende, de um modo ou de outro, a ser aplicado na realidade. A ciência sendo moralmente neutra, e, no entanto, como toda criação humana, um fato moral, e disto o cientista deve esta consciente. A sociologia estuda os valores e as normas que existe de fato na sociedade e tenta identificar e classificar as relações entre esses componentes da sociedade e outras manifestações da vida social, sem, no entanto, julgar a sociedade nem os homens e os seus atos. Não cabe a sociologia dizer como a sociedade deve ser, mas constatar e explicar como ela é.
                                                                                                                     
7.    QUAIS AS RELAÇÕES ENTRE HISTÓRIA E SOCIÓLOGIA?

Alem da sociologia a sociedade é também estudada pela Antropologia Cultural da Economia e Pela Psicologia Social. São as chamadas ciências sociais ou do comportamento. Ramos híbrido de outras ciências não especificamente sociais também se ocupa do estudo de sociedade, tais como a geografia e ecologia humanas.  A compreensão em profundidades dos fenômenos sociais demanda a conjugação de todas essas ciências, razão pela qual são independentes nas suas interpretações.




8.    SE EXISTE UMA CIÊNCIA ESPECÍFICA DOS FENÔMENOS ECONÔMICOS, COMO SE JUSTIFICA QUE OS SOCIÓLOGOS TAMBÉM POSSAM ESTUDAR ESSES MESMOS FENÔMENOS?

Em resumo enquanto o historiador estuda o singular na sociedade, o sociólogo estuda o geral, ou, mais adequadamente, o que é passível de ser generalizado. Só que, numa visão sumária, não estuda os processos em si mesmos, mais as condições sociais em que eles ocorrem. É essa por excelência, uma das tarefas principais da sociologia: tentar responder, por exemplo, que as relações existem entre os padrões de organização da família e os padrões de organização das relações econômicas em uma situação social dada.

9.    QUAL A DIFERENÇA ENTRE SOCIOLOGIA E DOUTRINA SOCIAL?

No entanto, como já afirmamos, supor que a sociologia tenha como objeto de estudo os problemas sociais e como objetivo resolvê-los é um equívoco somente admissível entre aquelas pessoas que não estão familiarizadas com o conceito da ciência e com o espírito cientifico. A ciência tem como objetivo último explicar, e tão somente explicar, os fatos observáveis, como eles ocorrem e, sobretudo, quais as suas causas. Embora não se tenha observado na sociedade relações de causa e efeito do mesmo tipo das que ocorrem no mundo físico, as ciências sociais e, portanto, a sociologia, tem o mesmo objetivo que as ciências naturais: explicar os fatos passíveis de ser observados a nossa volta. Uma teoria cientifica é uma explicação de algum fenômeno, ou conjunto de fenômeno, com base na observação, direta ou indireta, dos fatos que a confirmam.
Quanto às doutrinas, estas não se baseiam na observação dos fatos, mas em idéias sobre a realidade presumivelmente é, ou, principalmente, como a realidade deve ser. Outras características das doutrinas sociais, que as faz fundamentalmente diversas das teorias sociológicas, esta no fato de que aquelas são indissociáveis da Ética Social. Isto significa que as doutrinas sociais nos dizem, sobretudo o que a sociedade deve ser, o que nela e justo e injusto.

10. QUAL A DIFERENÇA ENTRE SOCIOLOGIA E PROBLEMA SOCIOLÓGICO?

Os problemas sociais são de interesses do sociólogo porque são fenômenos sociais, isto é, fatos passíveis de observação e, portanto, de explicação científica. Ao sociólogo interessam, antes, os problemas sociológicos, quer dizer, os problemas de explicação teórica do que acontece na vida social. Um fato pode ser definido como um problema social quando ameaça interesses materiais de quem o percebe, mas, também, quando Põe em risco a preservação de crenças arraigadas numa população. As pessoas de uma comunidade qualquer podem achar que o surgimento de imigrantes seja um problema social, porque eles representam uma ameaça aos bons costumes e à religião dominante, quando, de fato, o que as preocupa e a diminuição das oportunidades de emprego que este fato pode provocar. Um problema social pode ser considerado como tal por ter origem em fatores sociais, mas, igualmente, por ter conseqüências sociais.

11. POR QUE A SOCIOLOGIA, ALÉM DE CIÊNCIA, PODE SER TAMBÉM UMA FORMA DE CONSCIÊNCIA SOCIAL?

A sociologia não é apenas um tipo de conhecimento transformável em técnicas que possibilitam alguns tipos de transformação e controle da sociedade, mas também um meio de possível aperfeiçoamento com o espírito, na medida em que ela pode auxiliar as pessoas a, de algum modo, compreenderem mais claramente o comportamento dos outros, aos grupos aos quais pertencem e a sociedade como um todo.

12. POR QUE A SOCIOLOGIA PODE REFLETIR IDÉIAS NÃO CIENTIFICAS A RESPEITO DA SOCIEDADE?

Se esta parece uma desvantagem para a sociologia, não devemos esquecer, contudo que ela é a única ciência que pode ter a si mesmo como objeto de indagação critica. Daí existir uma especialidade sociológica voltada para o estudo das condições sociais do conhecimento em geral: a sociologia do conhecimento.

13. POR QUE RAZÃO NÃO PARECE APROPRIADA A DISTINÇÃO ENTRE “SOCIOLOGIA RADICAL” E “SOCIOLOGIA CONSERVADORA”?
A preocupação em fazer a sociologia instrumento de mudança da sociedade através da denuncias das causas da injustiça social, notadamente daquelas radicadas nos interesses das categorias política e economicamente privilegiadas, levou alguns sociólogos a fazer a distinção entre a sociologia radical e a sociologia conservadora. A primeira, sobretudo difundida nos EUA a partir dos anos sessenta, seria supostamente comprometida com os interesses das categorias subalternas da sociedade capitalista, enquanto a segunda não seria mais um mero instrumento de defesa dos interesses da burguesia, protegida sobre o rótulo da ciência.

14. QUAIS AS RELAÇÕES POSSÍVEIS ENTRE SOCIOLOGIA E IDEOLOGIA?

A sociologia, porém, como todo conhecimento, nasce da própria sociedade. Assim, ela pode refletir interesses de alguma categoria social, ter função ideológica, contrariando o ideal de objetividade da ciência. Ideologia é toda forma de conhecimento decorrente da situação social especifica de alguma categoria social e representativa dos interesses dessa categoria. As doutrinas sociais constituem um elemento muito influente em determinadas situações históricas pelo fato de constituírem um elemento importante na mobilização de determinadas categorias sociais no sentido de tentar transformar a sociedade. Não que as doutrinas, por si mesmo expliquem as transformações sociais, mas não há como compreender determinadas situações sociais sem atentar para as idéias coletivamente partilhadas em tais momentos.
As doutrinas sociais, portanto, interessam aos sociólogos como um componente da vida social eventualmente digno de atenção como parte do objeto de estudo da ciência, e não como explicação da realidade.

15. QUAL A SOLUÇÃO PROPOSTA POR GUNNAR MYRDAL PARA O PROBLEMA DAS RELAÇÕES ENTRE O TRABALHO SOCIOLÓGICO E OS SEUS VALORES MORAIS?

Diante deste problema, o que cabe ao sociólogo é fazer o que lhe for possível para, honestamente, explicitar para si mesmo e para os outros os seus valores e pressupostos éticos. Se o sociólogo é motivado pelo conhecimento que possui a respeito da sociedade para engajar-se na ação política, este engajamento representa antes a um direito que ele possui como cidadão do que com uma obrigação decorrente da sua condição de sociólogo.

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